contos e objetos




Objetos produzidos em diálogo direto com as séries de pintura-conto. Os contos não circulam digitalmente. Exemplares numerados, em tiragem limitada, podem ser lidos exclusivamente na exposição.

A obra Bolha, da série Infiltração, obra em andamento, desloca o olhar do conflito para a própria estrutura que o sustenta. A polarização surge como ambiente controlado, protegido e reiterado. Em um jogo de soma zero, predominam as reações condicionadas e e a inércia funcional ao sistema.
Em Bolha, a artista procura encontrar o espírito de seu tempo. Sem descrever acontecimentos, torna visíveis os mecanismos que produzem a sensação de segurança e pertencimento a uma bolha. A obra questiona até que ponto a experiência de polarização, marcada por identidades rigidamente nomeadas, reforça a incomunicabilidade entre pessoas que partilham o mesmo espaço.
vídeo Bolha, da Série Infiltração, obra em andamento (2026)
redoma de vidro 29cm x 18cm.

vídeo Risco de Desabamento
Série Infiltração, obra em andamento
Bolha
O vídeo desdobra a lógica da obra ao deslocá-la para o diagnóstico. A imagem em movimento torna-se aqui processo contínuo: um estado de pré-colapso que se prolonga e se analisa enquanto acontece.
A linguagem adotada, próxima à de um laudo técnico, descreve fissuras, infiltrações e pontos de tensão, avaliando ainda ser possível conter o dano. No entanto, à medida que o exame avança, torna-se evidente que a instabilidade não é localizada. Ela atravessa toda a estrutura.
A infiltração, nesse contexto, deixa de ser um problema construtivo e passa a operar como princípio. Não há mais distinção clara entre dentro e fora, causa e efeito, origem e consequência. O que se apresenta como deterioração material sugere, simultaneamente, um processo mais amplo de erosão das formas de coesão.
O vídeo, sem dramatizar o colapso, insiste no intervalo que o antecede. Esse momento em que tudo ainda se sustenta, mas já não se mantém.